A expressão Gre-nal surgiu em 1926, quando o jornalista Ivo dos Santos Martins (torcedor do Grêmio), cansado de ter de escrever por extenso os longos nomes dos dois clubes, inventou a expressão. Já o ex-governador do Rio Grande do Sul e patrono do Internacional, Ildo Meneghetti, definiu de forma tautológica o grande clássico gaúcho: "Gre-nal é Gre-nal".
O Gre-nal é considerado, proporcionalmente, o maior clássico regional do Brasil, por dividir ao meio praticamente todo o Estado do Rio Grande do Sul. Em outros estados, o número de grandes clubes chega, às vezes, até a quatro. Já no Rio Grande do Sul, apenas recentemente o Juventude vem surgindo como outra grande força no futebol estadual.
Fundado seis anos antes, o Grêmio liderou com folga as estatísticas de Gre-nais nos primeiros anos de disputa, tendo vencido o primeiro Gre-nal da história pelo placar de 10 a 0, em 18 de julho de 1909, sendo cinco gols marcados pelo alemão Edgar Booth, o qual é também o autor do primeiro gol da história do clássico.
O Internacional assumiu a vantagem no número de vitórias no Gre-nal de número 89 (Internacional 4x2 Grêmio), disputado em 30 de setembro de 1945, na época do "Rolo Compressor", e nunca mais foi superado. Na ocasião, o clube passou a ter 38 vitórias no clássico, contra 37 do Grêmio e 14 empates.
No início dos anos 80, a vantagem do Internacional chegou a ser de 31 clássicos. Em 2002, a diferença chegou a cair para 14 jogos, mantendo-se atualmente em 20 vitórias a mais para o Internacional.
Boa parte da vantagem atual também foi construída no período de 1969 a 1976, com a construção do Estádio Beira-Rio e a montagem de um dos maiores times da história do Internacional. Naquele período, foram disputados 40 confrontos, com o Inter tendo vencido 18, empatado 18 e perdendo apenas 4 jogos, ficando invicto por 17 partidas (17 de outubro de 1971 a 13 de julho de 1975), o maior período de invencibilidade dos Gre-nais. Já o maior período de invencibilidade do Grêmio foi entre 16 de junho de 1999 e 28 de outubro de 2002, quando chegou a ficar 13 jogos invicto.
O maior número de vitórias consecutivas é do Grêmio, com 6 vitórias consecutivas, que conseguiu esta façanha 4 vezes, sendo a última em 1977-78. Já a maior sequência do Internacional é de 5 vitórias consecutivas, feito que conseguiu 4 vezes.
Enquanto o Grêmio conseguiu vencer ao Internacional, por mais de 2 gols de diferença, 8 vezes no Estádio Olímpico e apenas 1 vez no Estádio Beira-Rio, o Internacional, por sua vez, venceu 3 vezes no Olímpico e apenas 1 no Beira-Rio. De fato, o Internacional passou 40 anos (entre 1954 e 1994) sem golear o Grêmio. E somente 39 anos após a fundação do Estádio Beira-Rio, o Internacional conseguiu golear o rival em seu estádio.
Após décadas de um processo popularmente conhecido no Rio Grande do Sul como "gangorra" (quando um dos dois clubes encontra-se em boa fase e o outro em um mau momento, e vice-versa), o ano de 2006 foi atípico. No Campeonato Brasileiro, o Inter terminou na segunda colocação na classificação geral, enquanto que o Grêmio terminou em terceiro, proporcionando aos dois clubes participarem juntos, pela primeira vez, da Taça Libertadores da América do ano seguinte.
Clássicos Históricos
Para este primeiro Gre-nal, dirigentes do Internacional, clube recém-fundado, reuniram-se com os dirigentes do Grêmio, em junho daquele ano, para convidar o Tricolor para ser o primeiro adversário da história do Colorado. Os representantes do Grêmio aceitaram a proposta, porém com uma condição: seu clube jogaria com o segundo quadro (time reserva). Os dirigentes do Internacional, por sua vez, não aceitaram e exigiram que seu adversário jogasse com o time principal, o que foi aceito pela diretoria gremista.
Às 15 horas e 10 minutos do dia 18 de junho, as duas equipes entraram no campo da Baixada, precedidas pelos respectivos presidentes e pela banda da Brigada Militar. Os jogadores do Grêmio trajavam camisa dividida verticalmente em metade azul e metade branca, com calções pretos. Já os do Internacional vestiam camisa listrada verticalmente em vermelho e branco, com calções brancos. O público presente era estimado em duas mil pessoas.
O árbitro da partida foi Waldemar Bromberg, auxliado por João de Castro e Silva e H. Sommer (juízes de linha), e por Theobaldo Foernges e Theodoro Bugs (juízes de gol). Os juízes de gol ficavam sentados num banquinho ao lado das goleiras, indicando se a bola entrava ou não no gol, pois na época não havia redes nas goleiras.
O pontapé inicial fora dado por Edgar Booth que, aos 10 minutos, marcou o primeiro gol do jogo e da história do clássico. Booth ainda marcou mais quatro gols, sendo o restante dos tentos marcados por Júlio Grünewald (4 gols) e Moreira (1 gol), totalizando o placar em 10 a 0 para o Grêmio, a maior goleada da história dos Gre-nais.
Gre-Nal Farroupilha
A partida foi equilibrada, como a maioria dos clássicos. O tempo passava e o placar permanecia 0 a 0. Aos 38 minutos do segundo tempo, numa falta lateral, o Grêmio teve o que parecia ser sua última chance. Cobrado o tiro livre, o zagueiro colorado Risada subiu mais alto que os atacantes tricolores e testou a bola para frente... nos pés de Foguinho, meio-campista do Grêmio, que já esperava o rebote. O chute saiu certeiro: Grêmio, 1 a 0! Dois minutos depois, num contra-ataque, o ponta-direita Laci ainda fez o segundo gol do Grêmio.
Mesmo tendo perdido o campeonato estadual para a equipe do 9º Regimento, de Pelotas (que, em função disso, passou a chamar-se Farroupilha), o título metropolitano foi considerado tão importante que os atletas e a direção do Grêmio juraram comemorá-lo por 100 anos. Promessa cumprida à risca até hoje.
O "Gre-nal Farroupilha" também foi marcado como a última partida do goleiro Eurico Lara pelo Grêmio. Debilitado por problemas de saúde, ele atuou durante o primeiro tempo. Viria a falecer alguns meses depois. O craque foi imortalizado no hino do clube.
Estatísticas
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| Número de jogos | 373 |
| Vítórias do Inter | 138 |
| Vitórias do Grêmio | 118 |
| Empates | 117 |
| Número de gols | 1028 |
| Gols marcados pelo Inter | 532 |
| Gols marcados pelo Grêmio | 496 |
Bibliografia:
COIMBRA, David; NORONHA, Nico; SOUSA, Mário Marcos de. A História dos GRE-NAIS. Ed. Artes e Ofícios, 2004
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